terça-feira, 13 de maio de 2008

E quando se acabarem os comprimidos, vou pra onde?

Entre sons desconexos e gestos semi-aleatórios, um rapaz de 16 anos de um país africano do qual me escapa o nome e a História pergunta a um transeunte em que país está. Está em Portugal, no Porto de Lisboa e não passa muito tempo até o Serviço de Estrangeiros e Fronteiras (SEF) se aperceber da sua existência.



Visivelmente um jovem muito perturbado, os agentes recolhem-no e o processo inicia-se mais uma vez: a pessoa é levada para uma espécie de abrigo provisório onde nos 5-6 dias seguintes se apurará, através de entrevistas, se o indivíduo está apto a receber o estatuto de refugiado, com os apoios que isso acarreta. Cerca de 80% dos pedidos de refúgio em Portugal são negados pelo que estas entrevistas são a única porta de entrada possível e são levadas com essa seriedade.
A entrevista decorreu com dificuldade. O tradutor é esforçado mas pouco competente e os agentes do SEF dominam a História passada e recente do país em questão como eu a mostrei dominar, pelo que o jovem demorou dias a contar os pequenos detalhes de como acompanhou a situação no país a escalar para o descontrolo e de como viu a totalidade da sua família ser esquartejada e fuzilada à sua frente, dos amigos que conseguíram metê-lo num barco de forma clandestina, em direcção a Lisboa. A chegada ao nosso porto é contada sem nenhum tipo de entusiasmo, foram semanas escondido no porão, a sua presença apenas conhecida por um marinheiro que o violou continuamente como forma de pagamento pela viagem.
Eventualmente o estatuto de refugiado politico foi-lhe concedido. A equipa de agentes do SEF, aconselhados pelos psiquiatras que viam nele um caso extremo de síndrome stress pós-traumático, remeteram-no para o Hospital Júlio de Matos onde lhe foram rapidamente administrados um conjunto de medicamentos do foro calmante.
Esta história é verdadeira e relativamente recente. Passados 2~3 dias depois do seu internamento, o jovem fugiu e ainda não foi encontrado, presumindo-se que rume hoje pelas ruas de Lisboa completamente atormentado pelos seus fantasmas, dormindo na rua e comendo do que pode.


Esta história não dava um filme, nem sequer uma curta deprimente. Mas a ideia de que anda aí um miúdo a ver o nascer do sol num qualquer sitio a cheirar a peixe, a perguntar-se como é que os últimos meses puderam acontecer num mundo com sentido é no mínimo... visual! Seria um óptimo apontamento para um filme sobre outra coisa qualquer, talvez sobre as dores de crescimento de quem está a acabar a universidade e que pergunta a um amigo se ele também se sente perdido. O amigo, mais velho e paternalista, responde-lhe "- Tu fazes lá ideia do que é estar perdido! Ouve esta: um rapaz dum 16 anos chegou ao porto e perguntou onde é que estava..."

segunda-feira, 17 de dezembro de 2007

Pfffff

Acabo de me dar conta que este blog é um completo aborrecimento. Pelos vistos o que se passa por aqui é em tudo similar ao que de relevante se passa dentro das nossas cabeças... um deserto onde só uma pequena aragem se manifesta. É uma pena porque de facto justamente antes de me colocar como assinante do Noutebuque tinha a maior convicção de ser a mais perfeita idiota. Pelos vistos tenho que me reavaliar com maior frequência.
E agora informação cultural: 'tá frio em Barcelona!
Adeus e un crema catalana, sem olvidar " ...Feliz Navidad.... Feliz Navidad... "

quarta-feira, 31 de outubro de 2007

hola!

Se soa a internacional, peço desculpas! Se for preciso até o faço nas línguas todas que ando a falar nos últimos tempos! É a vidinha! Mas não queria perder a oportunidade de passar alguma mensagem de um lado mais mediterrânico do mundo - onde estou! Talvez o meu propósito neste blog seja um pouco esse! Mostrar aquilo que por aqui vou encontrando e passar a mensagem!
Entonces ...

No outro dia fui a um concerto =o (espanto!)
Os interessados cusquem o site do senhor Boba, que de parvo não tem nada! Aconselho ... todas! Sobretudo "Las hermanas Sanchez".

http://profile.myspace.com/index.cfm?fuseaction=user.viewprofile&friendID=83415927


Bom! Dêem feedback sobretudo ao Abraham coitado! Que ele ganha trocos com isso e eu não!
Pois bem! Farei novos posts em breve, por muito que escrevam cheios de descontentamento! Azarito!

sexta-feira, 26 de outubro de 2007

Terapia de banda


Eles namoram com boa gente.



Isto já não é ficção, é terapia! Tenho mesmo de tirar esta
obsessão do sistema, só não sei é muito bem como. Enquanto isso, vão-me saindo umas pessoas mais ou menos fictícias do meu cérebro, à espera de se tornarem num deja vue de carne e osso... As duas ficções foram pensadas para o ecrã de televisão.


Rapaz vive obcecado pelo namorado da rapariga de quem gosta.
(curta, 20ms)
David está aborrecido mas parece querer iniciar uma nova fase da sua vida inútil com a Rita. A primeira conversa de café diz-lhe tudo o que ele precisa de saber: ela está mais assente na vida, ela é mais responsável, ela adora baterias.
Num concerto de hardcore manhoso ele descobre que ela tem namorado quando a vê a beijar o baterista.
Irá questionar amigos e conhecidos acerca da banda e do seu baterista, e construir dele uma personagem que melhor se adequa ao seu mundo.
Os cafés com a Rita começam a tornar-se dolorosos: de cada vez que ela simula algum ritmo com as mãos a mente do rapaz foca-se no outro animal, pensa em todo o orgulho que ela terá nele, em todos os pormenores da sua vida que terão sido influenciados pelo gajo. Em bares, David queixa-se aos seus amigos do ridículo das gajas gostarem tanto dos tipos que têm bandas, desenvolvendo uma antipatia enorme por bateristas, enquanto se inicia a ler livros de auto-aprendizagem para percussão.
Nas semanas seguintes ele irá procurar emprego, criar uma conta e comprar uma bateria.

Com o passar do tempo os cafés multiplicam-se mas as hipoteses de desenvolver algo mais com a Rita vão morrendo. David culpa os bateristas de todo o mundo
Ultimo café. Após um minuto de silêncio desconfortável, ele não se consegue conter e pergunta-lhe "O que é que têm os gajos com bandas". Ela sorri, levanta-se, diz-lhe que não vai ter aquela conversa com ele, beija-o na testa e vai-se embora.
Ele levanta-se e vai para o trabalho no Burguer King, ela caminha para a aula de bateria, que dá a miúdos do conservatório à varios anos. Ele nunca lhe tinha perguntado se ela tocava...

***
Ana odeia a banda do namorado.
(personagens regulares duma série sobre a juventude lisboeta)

O público-alvo da banda é bem distante do estilo da Ana, pelo que numa situação normal ela nunca ouviria aquela merda. E é uma merda. Mas eles começam a ter relativo sucesso no mainstream português, pelo que Ana começa a apanhar com aquilo no radio do chuveiro, nos carros que a deixam passar na passadeira, na pequena televisão do quarto da avó... E quando visita o namorado em casa, ele diz ter uma surpresa para ela:
- Esta musica escrevi para ti. Chama-se "Ana"....


Tenho de me curar.... Bjs

sexta-feira, 19 de outubro de 2007

Noutebuque

E está criado o noutebuque, nada de complicado, são as novas tecnologias...

A cena é simples, um sitiozinho da net onde colocar ideias que entretanto vão surgindo, tipo bloco de notas, com a adenda de poderem receber feedback rápido. Falo de ideias pra romances, cinema, tv, bd, rpg, cronicas,ilustração, até de ideias pra posts noutros blogs, who gives: a ideia é este ser o sitio da gestação das ideias. Más, boas, assim assim ou mais ou menos, o objectivo é pô-las "no papel" assim que aparecem, para depois não nos andarmos por aí a queixar de que vimos o filme X que tem uma ideia que tivemos à anos, aqueles ladrões... È que writers write, wannabe writes talk about it...
Usem o blogue como uma ferramenta portanto, e embora não se preveja que algum post alguma vez seja "recusado", assume-me que cada um de nós já tenha um blogue (ou vários) onde dissertar a suas opiniões acerca do estado da relva no Alvalade XXI, logo, tipo, abstenham-se.

O objectivo é claro, o de promover a criatividade, a beleza da criação no seu expoente mais imediato... Ok, basicamente é combater a preguiça. Começamos poucos o que até é saudável, mas vão passando a palavra se quiserem, quem tiver interessado em "entrar" é só dizer, you know the drill...

Não esquecer o RSS!
Ciau

PS: Some rights reserved. Se não souberem o que isso significa, têm sempre o link lá em baixo...
Creative Commons License
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