Isto já não é ficção, é terapia! Tenho mesmo de tirar esta obsessão do sistema, só não sei é muito bem como. Enquanto isso, vão-me saindo umas pessoas mais ou menos fictícias do meu cérebro, à espera de se tornarem num deja vue de carne e osso... As duas ficções foram pensadas para o ecrã de televisão.
Rapaz vive obcecado pelo namorado da rapariga de quem gosta.
(curta, 20ms)
David está aborrecido mas parece querer iniciar uma nova fase da sua vida inútil com a Rita. A primeira conversa de café diz-lhe tudo o que ele precisa de saber: ela está mais assente na vida, ela é mais responsável, ela adora baterias.
Num concerto de hardcore manhoso ele descobre que ela tem namorado quando a vê a beijar o baterista. Irá questionar amigos e conhecidos acerca da banda e do seu baterista, e construir dele uma personagem que melhor se adequa ao seu mundo.
Os cafés com a Rita começam a tornar-se dolorosos: de cada vez que ela simula algum ritmo com as mãos a mente do rapaz foca-se no outro animal, pensa em todo o orgulho que ela terá nele, em todos os pormenores da sua vida que terão sido influenciados pelo gajo. Em bares, David queixa-se aos seus amigos do ridículo das gajas gostarem tanto dos tipos que têm bandas, desenvolvendo uma antipatia enorme por bateristas, enquanto se inicia a ler livros de auto-aprendizagem para percussão. Nas semanas seguintes ele irá procurar emprego, criar uma conta e comprar uma bateria.
Com o passar do tempo os cafés multiplicam-se mas as hipoteses de desenvolver algo mais com a Rita vão morrendo. David culpa os bateristas de todo o mundo
Ultimo café. Após um minuto de silêncio desconfortável, ele não se consegue conter e pergunta-lhe "O que é que têm os gajos com bandas". Ela sorri, levanta-se, diz-lhe que não vai ter aquela conversa com ele, beija-o na testa e vai-se embora.
Ele levanta-se e vai para o trabalho no Burguer King, ela caminha para a aula de bateria, que dá a miúdos do conservatório à varios anos. Ele nunca lhe tinha perguntado se ela tocava...
***
Ana odeia a banda do namorado.
(personagens regulares duma série sobre a juventude lisboeta)
O público-alvo da banda é bem distante do estilo da Ana, pelo que numa situação normal ela nunca ouviria aquela merda. E é uma merda. Mas eles começam a ter relativo sucesso no mainstream português, pelo que Ana começa a apanhar com aquilo no radio do chuveiro, nos carros que a deixam passar na passadeira, na pequena televisão do quarto da avó... E quando visita o namorado em casa, ele diz ter uma surpresa para ela:
- Esta musica escrevi para ti. Chama-se "Ana"....
Tenho de me curar.... Bjs
O público-alvo da banda é bem distante do estilo da Ana, pelo que numa situação normal ela nunca ouviria aquela merda. E é uma merda. Mas eles começam a ter relativo sucesso no mainstream português, pelo que Ana começa a apanhar com aquilo no radio do chuveiro, nos carros que a deixam passar na passadeira, na pequena televisão do quarto da avó... E quando visita o namorado em casa, ele diz ter uma surpresa para ela:
- Esta musica escrevi para ti. Chama-se "Ana"....
Tenho de me curar.... Bjs

5 comentários:
Tá interessante esta ideia, o fascínio feminino pelos músicos de bandas é real. qual a explicação? Não sei, talvez, tal como em alguns animais exista desejo pelo ser que produz o som mais belo e afinado, a fim de ser, o melhor, o seu parceiro para a reprodução.
É pá... terapia... penso que desabafando escrevendo isto não é suficiente para uma cura... Hands on approach... acho que somente com muitas sessões de psicanálise...
Mas sabes que a minha cena nem é tanto o fascinio feminino pelas bandas, é mais a obsessão masculina por pensar que esse fascínio existe. Falo por mim, quando alguém diz "o meu namorado vai tocar esta semana no WhateverBar", eu estaco. Por isso é que nunca poderei acabar aquele filme, é demasiado autobiográfico, demasiado, lol.
Concordo perfeitamente com o que escreveste... excepto talvez... aquelas partes em Arial 12. Kadgi proponho que utilizes um qualquer outro estilo de caracteres... Até porque nem percebo de que banda falas...
Wtf, como assim? Mas n consegues ler o post, o comment...?
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